Novas perspectivas
Porto de Rio Grande assina carta de intenções com Holanda nesta quarta-feira
"Parceria dos Portos Verdes" pode gerar acordos comerciais nas áreas de logística e geração de energias limpas
Foto: Divulgação - O acordo vinha sendo discutido desde 2012 e agora finalmente será firmado
Simultaneamente, nesta quarta-feira (10), às 11h no horário de Brasília, 16h em horário da Holanda, ocorre a assinatura da carta de intenções entre portos brasileiros e o Porto de Roterdã. A parte brasileira do acordo será firmada em evento com o primeiro-ministro dos Países Baixos, Mark Rutte, no Complexo Pecém, no Ceará. Além do porto cearense, os de Paranaguá, no Paraná e Rio Grande passarão a integrar o Programa Plurianual de Desenvolvimento Sustentável e Inovador de Portos 2023-2026.
A assinatura ocorrerá dentro da programação do World Hydrogen Summit, evento mundial sobre hidrogênio verde, uma forma limpa de geração de energia, que iniciou ontem e vai até amanhã em Roterdã. Dentro das intenções, está a promoção de cooperação entre instituições públicas e privadas dos dois países, construindo parcerias e gerando oportunidades de negócio nas áreas de logística e geração de energia, utilizando o comércio marítimo. Por isso, o acordo recebeu o título de "Parceria dos Portos Verdes". Dentro do acordo, também há o objetivo de minimizar riscos e criar impactos positivos, em conformidade com pelo menos quatro Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
O acordo vinha sendo costurado desde 2012. Segundo Lucila Almeida, representante adjunta do Escritório Holandês de Apoio a Negócios (NDSO), em Porto Alegre. Após um mapeamento de portos ano passado, Rio Grande apareceu entre os locais de interesse, especialmente pelo potencial de geração de energias renováveis percebido nos últimos anos. Com a possibilidade de empreendimentos onshore, offshore, nearshore, a partir de ventos e hidrogênio verde, além da capacidade logística, o Rio Grande do Sul apareceu como local de interesse.
"A questão portuária, juntamente com o potencial eólico muito forte, são dois aspectos muito importantes para se levar em consideração", aponta Lucila. "Um Porto, em um Estado tão produtivo quanto o Rio Grande do Sul, aliado a uma área geograficamente localizada onde se tem um potencial de vento muito forte, passa a ser um dos principais portos para se ter essa análise, essa parceria."
Lucila destaca que já há parcerias comerciais entre o Estado e Países Baixos, mas que o programa de cooperação vai proporcionar uma análise ao longo de três anos para verificar a questão toda do desenvolvimento portuário, transportes marítimos, construção naval, expandindo negócios, aumentando relações, tanto do Brasil para a Holanda quanto da Holanda para cá. "A ideia é apoiar a economia dos dois países."
Durante o período, estão previstos pelo menos quatro seminários online por ano, além de trocas de visitas técnicas entre instituições gaúchas a Roterdã e vice-versa. Pelo lado holandês, estão envolvidas diversas instituições públicas além do Porto de Roterdã e do governo dos Países Baixos, assim como 27 empresas. Segundo Lucila, ainda não é possível fazer uma análise de geração de emprego, já que este momento é apenas a assinatura de uma carta de intenções. A partir das análises feitas depois do acordo, será possível criar uma estruturação mais sólida.
Boas perspectivas no lado brasileiro
Em Roterdã para o evento, o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, celebra a oportunidade de apresentar o Porto de Rio Grande e o potencial de todo o complexo portuário gaúcho para receber a indústria de geração de energias limpas, tanto para exportação quanto para consumo interno. "A proposição é a gente ter agora um espaço para intercâmbio de informações e atração de investimento na pauta das energias renováveis e olhando também para o hidrogênio verde."
Segundo Klinger, a ida a Roterdã servirá para demonstrar a capacidade logística e estrutural e a formalização da carta de intenções ajudará a atrair investimentos que colaborem com a caminhada à efetivação dos parques eólicos e da indústria do hidrogênio verde. Ele destaca que há enorme capacidade de área e infraestrutura, além da possibilidade de expansão pelo Distrito Industrial e pelo lado de São José do Norte. "O grande diferencial, quando a gente olha para o Porto de Rio Grande, é mostrar que temos essa capacidade logística para receber essa nova indústria."
No entanto, ele ressalta que no Rio Grande do Sul ainda há muitos parques com pedidos de licença no Ibama e aguardando uma legislação federal que os regule para poderem ser instalados, junto à indústria do hidrogênio verde, e passar a atrair os investimentos na prática. Porém, enquanto isso não ocorre, aponta que, com a concretização dessa parceria, abre-se mais um canal para receber investimentos. Outro diferencial da região, apontado nas conversas com os potenciais investidores, vem sendo também a mão de obra qualificada, em uma região do País com diversas universidades, públicas e privadas, além dos Institutos Federais (IFs).
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